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31 de maio de 2010

E a gente pensa que repete corretamente os 'ditos populares'.



... Dicas do Prof. Pasquale.


No popular se diz: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro'
"Minha grande dúvida na infância... Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro???"

O correto é: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro'
Tá aí a resposta para meu dilema de infância!"
EU NÃO SABIA. E VOCÊ???


'Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'
Se a batata é uma raiz, ou seja, nasce enterrada, como ela se
esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?"

O correto é: ' Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo
chão.'


'Cor de burro quando foge.'
"Esse foi o pior de todos! Burro muda de cor quando foge??? Qual cor ele fica??? Porque ele muda de cor???" Eu queria porque queria ver um burro fugindo para ver a cor dele! Sério!

O correto é: 'Corro de burro quando foge!'


Outro que no popular todo mundo erra: 'Quem tem boca vai a Roma.'
"Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar!"

O correto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar). (não concordo com essa observação)


Outro que todo mundo diz errado,
'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. "Esse... Sei lá!"

O correto é: 'Esculpido em Carrara.' (Carrara é um tipo de mármore) - Caramba! Esta é de doer!!!


Mais um famoso.... 'Quem não tem cão, caça com gato.' "Entendia
também, errado, mas entendia! Se não tem o cão para ajudar na caça o gato ajuda! Tudo bem que o gato só faz o que quer, quando quer e se quer, mas vai que o bicho tá de bom humor!"

O correto é: 'Quem não tem cão, caça como gato.... ou seja, sozinho!'




Vai dizer que você falava corretamente algum desses?????

21 de maio de 2010

SOBRE A VÍRGULA

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..

Ela pode sumir com seu dinheiro. (releia sempre a cláusula da sucumbência).
23,4.
2,34.

Pode criar heróis. (vou escolher qual advogado?).
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução (aqui falamos dos honorários).
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber dos antecedentes do réu.
Não, queremos saber dos antecedentes do réu.

A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência Excelência!
Não, tenha clemência Excelência!

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

12 de maio de 2010

A GERAÇÃO DA UTOPIA

Romance escrito por Pepetela, autor de uma vasta obra, e muito estudado dentro da Literatura Africana. Em A Geração da Utopia (um livro que, como dizia minha professora de LA é indispensável a qualquer estudante de Letras) relata trinta anos de história de um grupo de jovens angolanos.
Como o livro é intenso e rico em detalhes da época, da guerra e do interminável sofrimento de um povo que buscava a liberdade, procurarei resumir de forma dinamizada a obra toda...

A ação dos protagonistas de A Geração da Utopia se desenvolve em quatro
capítulos, iniciando-se por “A Casa (1961)”, tendo seqüência em “A Chana (1972)”,
“O Polvo (1982)”, finalizando com “O Templo (a partir de junho de 1991)”.

A CASA - situada em Lisboa, espaço onde se reuniam os estudandes vindos de diversas cidades africanas onde expunham e debatiam suas produções intelectuais, além dos ideais libertários nacionalistas...

A CHANA – (sem trocadilhos) Lugar onde ocorre a luta guerrilheira pela independência. Os homens se engajaram na guerrilha e se ela, em tese, poderia uni-los servindo de eixo para um ideal comum, na prática contribuiu para distanciá-los. Observa-se como a divisão interna vai dissolvendo e corrompendo o movimento. Guerrilheiros do leste se colocam contra os do norte, num conflito que parece só se aprofundar, e a guerrilha vai perdendo o verdadeiro foco...

O POLVO – é um tempo breve, é um reencontro do homem consigo mesmo, o do homem
com um pesadelo do passado – emblematizado na figura do polvo e do homem com uma mulher...

O TEMPLO - O título é uma alusão à Igreja da Esperança e Alegria do Dominus, liderada por um dos personagens...

Curiosidades:

A independência da Angola se deu em 1975, podemos então sintetizar essa indepêndencia como a passagem da utopia para a distopia, ou seja, a passagem de um sonho para uma realidade.

MPLA – Movimento pela Libertação da Angola.

PIDE – Policia Internacional e da Defesa do Estado.

Geração da Utopia – Jovens em busca de um ideal de liberdade

PEPETELA - breve historinha do autor em uma de suas aulas na faculdade Lisboa, muito interessante...

“Portanto, só os ciclos eram eternos.”
(Na prova oral de Aptidão à Faculdade de Letras, em Lisboa, o examinador fez uma
pergunta ao futuro escritor. Este respondeu hesitantemente, iniciando com um portanto.
De onde é o senhor, perguntou o professor, ao que o escritor respondeu de Angola. Logo vi
que não sabia falar português, então desconhece que a palavra portanto só se utiliza como
conclusão dum raciocínio ? Assim mesmo, para pôr o examinando à vontade. Daí a raiva do
autor que jurou um dia havia de escrever um livro iniciado por essa palavra. Promessa cumprida.
E depois deste parêntesis, revelador de saudável rancor de trinta anos, esconde-se
definitiva e prudentemente o autor.).” PARA A CONFIRMAÇÃO DO FATO, RECOMENDO A LEITURA DA OBRA!!!!

Outras obras de Pepetela de mesmo fundo histórico: (Mayombe, Yaka, A gloriosa Família)

29 de abril de 2010

O QUE É TEXTO...

A noção de texto é ampla e ainda aberta a uma definição mais precisa. Grosso modo, pode ser entendido como manifestação lingüística das idéias de um autor, que serão interpretadas pelo leitor de acordo com seus conhecimentos lingüísticos e culturais; são produzidos nas mais diversas linguagens, assim seriam tratados também como textos as produções feitas com as linguagens das artes plásticas, da música, da arquitetura, do cinema, do teatro, entre outras. "Um texto é uma ocorrência lingüística, escrita ou falada de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal. É uma unidade de linguagem em uso." O PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) da Língua Portuguesa acrescenta:

“ que o discurso, quando produzido, manifesta-se linguisticamente por meio de textos. O produto da atividade discursiva oral ou escrita que forma um todo significativo, qualquer que seja sua extensão, é o texto, uma sequência verbal constituída por um conjunto de relações que se estabelecem a partir da coesão e da coerência. Em outras palavras, um texto só é um texto quando pode ser compreendido como unidade significativa global. Caso contrário, não passa de um amontoado aleatório de enunciados.
A produção de discursos não acontece no vazio. Ao contrário, todo discurso se relaciona, de alguma forma, com os que já foram produzidos. Nesse sentido, os textos, como resultantes da atividade discursiva, estão em constante e contínua relação uns com os outros, ainda que, em sua linearidade, isso não se explicite. A esta relação entre o texto produzido e os outros textos é que se tem chamado intertextualidade.” (PCN 1998)

Um texto é tudo aquilo que comunica algo, seja ele oral, escrito, visual ou musical. Do ponto de vista oral e escrito, o texto se constrói a partir de mecanismos sintáticos e semânticos, os quais são responsáveis pela produção do sentido. De acordo com Chareaudeau (1992), o texto pode ser concebido como “[...] a manifestação material (verbal e semiológica: oral/gráfica, gestual, icônica, etc.) de um ato de comunicação, numa situação dada, para servir de projeto de fala de um dado locutor”
Para Fiorin o texto “é um todo organizado de sentido, implica afirmar que o sentido de uma parte depende do sentido das outras. No caso dos textos verbais, isso significa que ele não é um amontoado de frases, ou seja, nele as frases não estão simplesmente dispostas umas depois das outras, mas mantêm relação entre si. Isso quer dizer o sentido de uma frase depende dos sentidos das demais, o sentido de uma parte do texto depende do sentido das outras.”
Reforçando a afirmação de Fiorin sobre o que é texto, temos o conceito de Koch onde diz: “Um texto não é simplesmente uma seqüência de frases isoladas, mas uma unidade lingüística com propriedades estruturais específicas”.
Fiorin também define texto como uma diversidade de manifestações, mostra sua pluralidade estendendo-a a vários estados da linguagem, expandindo suas possibilidades na fala, na imagem e nos sons, podendo todas essas características textuais formarem um conjunto único de novas informações sociais. E ainda completa:

“...um texto não é apenas manifestado verbalmente, isto é, por meio de uma língua natural, como o inglês, o francês, o árabe, o português. Na verdade, ele pode manifestar-se visualmente, como uma pintura, por meio da linguagem verbal, visual e musical, como o cinema, por meio da linguagem verbal e visual como nos quadrinhos. Assim, um romance é um texto; um trecho de um romance é um texto; uma poesia é um texto; uma escultura é um texto; uma ópera é um texto.”

O texto possibilita a manifestação social de forma abrangente, é um modo de se expressar através da escrita; além de proporcionar uma intensa comunicação, ele é um meio de transferência e aquisição de novos conhecimentos. Para Schmidt (1978):

"O texto é um componente verbalmente enunciado de um ato de comunicação pertinente a um jogo de atuação comunicativa, caracterizado por uma orientação temática e cumprindo uma função comunicativa identificável, isto é, realizando um potencial elocutório determinado.”

Podemos ainda ressaltar a conceitualização de Elisa Guimarães (1985) que destaca aspectos mais amplos da intenção textual, que diz:

“Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno. Caracteriza-se, pois, numa cadeia sintagmática de extensão muito variável, podendo circunscrever tanto a um enunciado único ou a uma lexia quanto a um segmento de grandes proporções.


(referências ainda não disponibilizadas aqui)

2 de abril de 2010

GÊNEROS TEXTUAIS

Todos os textos surgem na sociedade pertencendo a diferentes categorias ou gêneros textuais que relacionam os enunciadores com atividades sociais específicas. Não se trata de pensarmos em uma lista de características que compõem um modelo segundo o qual devemos produzir o nosso texto, mas de compreender como esse texto funciona em sociedade e de que forma ele deve ser produzido e utilizado a fim de atingir o objetivo desejado. O trabalho com gêneros textuais obriga-nos a compreender tanto as características estruturais de determinado texto (como ele é feito) como as condições sociais que levam ao funcionamento e ao bom êxito das mesmas (como ele funciona na sociedade)
Levando em conta a imensidão de gêneros textuais existentes na sociedade e que, conforme as necessidades dessa sociedade, novos gêneros surgem e antigos desaparecem, muitos estudiosos procuraram campos maiores que englobassem diversos gêneros em seu interior. Emerge, dessa maneira, o conceito de tipo textual
Para Travaglia, o trabalho com textos de diferentes tipos é fundamental para o desenvolvimento da competência comunicativa, pois se o aluno fica restrito a um tipo específico, tão pouco se apropriará de outros recursos de interlocução ou interação. E, por ser difícil encontrarmos tipos puros, utiliza-se o recurso da conjunção tipológica que estabelece um tipo dominante para cada tipo de interlocução que se pretende praticar. Para ele, o uso de determinadas características é que possibilitarão a efetiva comunicação (ou não) com quem se fala. Ou seja, se concebe tipologia textual como o tipo de texto que demonstre interação e a interlocução entre os envolvidos, apresentando uma função social.
Basicamente existem três tipos de textos:

Texto Narrativo

Relato de um acontecimento;
Fatos vividos por personagens em determina tempo e lugar;
Presença do narrador (personagem ou observador);
Fatos em seqüência.

Texto descritivo

Função representativa;
Cópia/reprodução/representação escrita do captado pelo olhar;
Permite visualizar uma imagem do que é lido;
Caracteriza pessoas, objetos, ambientes, animais...
Transmite impressões ou sensações;
Não há sucessão de acontecimentos.

Texto dissertativo/persuasivo

Possui caráter argumentativo;
Exposição de idéias e opiniões;
Apresentação de provas;
Adoção de ponto de vista;
É preciso conhecer o tema;
Convencimento do leitor;
Introdução, desenvovimento e conclusão.

A língua, é viva e faz parte da comunicação diária entre os falantes, e os gêneros são fonte rica desse material autêntico, portanto, o estudo com esse tipo de material será significativo e, conseqüentemente, mais eficaz.

(texto escrito baseado em fontes ainda não disponibilizadas aqui)

24 de março de 2010

O PAPEL DO TEXTO NO ENSINO DA LÍNGUA

O texto é entendido como “toda unidade de produção de linguagem situada, acabada e auto-suficiente do ponto de vista da ação ou da comunicação” (Bronckart, 1999). O texto é o elemento básico com que devemos trabalhar no processo de ensino de qualquer disciplina. É através do texto que o usuário da língua desenvolve a sua capacidade de organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir idéias, informações, opiniões em situações comunicativas. Produzir textos exige da pessoa o saber pensar, organizar ideias e escrever.

A aprendizagem da língua escrita não é uma herança biológica, mas sim cultural. Existem sociedades que escrevem e sociedades que não escrevem, embora todos tenham língua oral. Isto quer dizer que a língua escrita é uma criação social. Diferentemente da transmissão hereditária, que é o caso da linguagem oral, a escrita é um produto da cultura que só se transmite pelo ensino, ou seja, em geral por meio de uma intervenção social planejada para tal fim (Freire, 1998; Zorzi, 2002).

No processo de aprendizagem da língua, o uso do texto se faz importante, pois é uma forma de interação com o mundo e com as várias situações da língua portuguesa; nos proporciona a exposição de ideias, a criação de histórias e a aquisição de novos conhecimentos. Assim podemos concordar com Othon Garcia que diz “Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar, aprender a encontrar idéias e concatená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente ao criou ou não aprovisionou...”
A importância da linguagem como meio de comunicação social. O instrumento humano e social depende, na sua infinita reconstrução e mudança, das colaborações criativas, do acréscimo, por assim dizer, da contribuição individual e das mudanças coletivas. A língua é totalmente diversificada e repleta de novas e variadas situações de uso, sua aprendizagem envolve, além de aspectos culturais, múltiplas formas de aprendizagem, como o texto que se relaciona favoravelmente com o Ensino da Língua. Ele é um instrumento que fortalece e intensifica a aproximação do aprendiz com as várias possibilidades da língua portuguesa, possibilita novas formas de expressão e fortalece o conhecimento, destacamos a importância de que cada vez mais cedo precisamos utilizar o texto para formar alunos criadores de conhecimento e dominadores de sua própria linguagem como expressão de pensamento. Um dos aspectos levantados pelo texto é a importância da linguagem como meio de comunicação, pois se não formos entendedores de enunciados, tantos escritos como oral, como compreenderemos os enunciados do dia a dia, por exemplo. As variações de linguagens devem ser valorizadas, respeitadas e compreendidas no âmbito da aprendizagem. Além do estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos aprendizes e da prática da reflexão lingüística, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade lingüística. Em suma, o texto como ferramenta na aprendizagem e aquisição da linguagem.
O texto também nos possibilita refletir sobre a língua, redefinir posições na criação de conceitos, acrescentando ainda o valor da interação como possibilidade de conferir aos membros de uma sociedade a prática dos mais diversos atos lingüísticos. A linguagem, pois, como lugar de interação humana, de interação comunicativa pela produção de efeitos de sentido entre interlocutores, em uma dada situação de comunicação e em um contexto sócio-histórico e ideológico, se faz concretude através de discursos, materializados em gêneros textuais.
Segundo KOCK (2003) em prólogo de seu livro “Desvendando os segredos do
texto” questiona: “E o texto tem segredos?”, para em seguida, afirmar que se
se considerar o texto como lugar de interação de sujeitos sociais,
reconheceremos o texto como um construto histórico e social, complexo e
multifacetado, cujos segredos é preciso desvendar para compreender melhor
esse “milagre” que se repete a cada nova interlocução – a interação pela
linguagem.

Através dos textos podemos construir conceitos, facilitando a melhor compreensão da escrita,conhecer nossa língua e formular novos princípios sobre as diversidades da linguagem interagindo com a própria realidade.
Desse modo, consideramos ser consensual que todo processo de ensino-aprendizagem
tem como foco nuclear o texto, o que não constitui novidade , pois
há tempo, práticas e estudos, os mais diversos, agenciam este procedimento, ou
seja,o de considerar o texto como unidade de ensino da língua.

(texto escrito baseado em fontes ainda não disponibilizadas aqui)

21 de março de 2010

Ética

Muito discutida por todos, principalmente por quem pouco ou nada sabe sobre ela, a ética é algo que pode ser definida como “A teoria ou ciência do comportamento moral do homem em sociedade”, assim definiu Adolfo Sanchez Velasquez em seu livro Ética, da editora Civilização Brasileira em sua 30ª edição, publicado em 2008, página 23. Dissertaremos com base neste autor e em aulas da disciplina introdução à filosofia e ética na administração, do professor Msc Vladimir de Oliveira Mota.

Quando o senso comum fala em ética ou sobre o que é ético, na realidade, está se referindo à moral e sobre o comportamento moral. Então vamos por partes, definiremos o que é moral e a partir daí, entenderemos o que é ética. A moral trata dos problemas práticos do dia-a-dia, diz respeito aos nossos atos, sobre o que devemos fazer em determinada situação. Esse comportamento moral tem fundamento nos costumes e varia no tempo e no espaço, o que hoje é moralmente correto há alguns anos atrás não era aceito e o que defendemos aqui em nosso país certamente em outros lugares do mundo é inaceitável moralmente. Um exemplo muito utilizado é sobre a forma das mulheres se vestirem, observe que aqui mesmo no Brasil, há umas poucas décadas, não se admitia a maneira como as mulheres brasileiras contemporâneas se vestem, não era moralmente aceito, e, ainda hoje não o é em países muçulmanos, por exemplo. Já nascemos em uma sociedade em que suas práticas morais já existem, herdamos isso tudo como certo, como moralmente correto. Estas práticas dizem respeito à cultura, às tradições, ao folclore, à religião, etc.

A ética tem na moral o seu objeto de estudo. Ela tem origem na filosofia, e é um ramo dela que se desprendeu, ganhando assim, característica científica. Ao contrário do tempo em que somente a filosofia tratava a respeito da ética, quando tinha um caráter até mesmo especulativo, atualmente a ética tem ganhado contribuições das ciências sociais. Ela é universal e atemporal, ao contrario da moral. Sendo assim, as questões éticas não mudam. O que é um problema ético hoje, o era há 1000 anos e continuará sendo por todo o sempre, tanto aqui quanto na Finlândia. A moral não influencia a ética, mas, a ética pode influenciar a moral. Vejamos um exemplo da universalidade e da atemporalidade de um preceito ético que encontramos na Bíblia, o livro sagrado do cristianismo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” Mateus, capítulo 22, parte final do versículo 39. Observe que fazer o bem a outra pessoa da mesma forma como gostaria de ser tratado é algo que foi importante, é importante e sempre será importante. Não se aplica a isso o exemplo de um problema moral em que citamos há pouco, o exemplo das vestes femininas.

No filme Monstros S. A. vemos claramente exemplos de falta de ética por parte dos personagens Randall, o lagarto que trapaceia para vencer seu rival Sulley, o protagonista do filme e ainda o presidente da empresa, o Sr. Henry J. Waternoose que no final do filme declarou: “eu seqüestrarei mil crianças antes de deixar esta empresa acabar”. Para ele, está claro que o dinheiro, o poder, e a manipulação política estão acima de qualquer coisa, isso é completamente ao contrário do exemplo de ética que citamos, “Amarás o teu próximo...”

James C. Hunter, em “O monge e o executivo”, falando a respeito de liderança, aborda um princípio ético, mostrando que o amor é como nos comportamos em relação aos outros e não um sentimento, como o senso comum sugere.

O ato ético é um ato livre e tem seu início na necessidade que temos de definir nosso “valor supremo”, valor este que está no topo hierárquico e definirão os demais valores, este é o pensamento ético de Eduardo Abranches de Soveral, citado em uma compilação organizada por José Maurício de Carvalho. A questão ética é uma questão filosófica, ela abrange todo tipo de relação dos homens, não é específica de uma disciplina, mas, todos precisamos estudar e compreender seus princípios para utilizar tanto na administração quanto em qualquer lugar onde haja convívio social. A ética, de uma maneira geral, consiste em definir o que é o bom, e, partindo desta definição, vir a desenvolver um pensamento sistemático a respeito da ética. Nos dias atuais, falamos da aplicação da ética em vários setores: na administração (pública e empresarial), no direito, na comunicação, etc., porém, não nos esqueçamos que se trata da mesma coisa, só que aplicada em setores diferentes e que no fim das contas são todos estes setores a mesma coisa: a relação do homem em sociedade.

Fonte das pesquisas:

Velasquez, Adolfo Sanchez. Ética. São Paulo: Civilização Brasileira, 2008, 30ª edição, P. 22 a 29.
Carvalho, Jose Maurício de. Problemas e teorias da ética contemporânea. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004, P. 352 e 352.
Hunter, James C. O monge e o executivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2007, P. 87 e 88.